Pode ser difícil preservar crenças e apegar-se a elas na aldeia global em que vivemos, especialmente diante da abertura, do desenvolvimento e do avanço do secularismo. O que dizer, então, daqueles que viajam pelos cantos do mundo e para países a milhares de quilômetros de suas terras, tornando-se completamente distantes de sua comunidade?

 

Isso representa um desafio para as religiões, especialmente para os drusos, que enfatizam um monoteísmo estrito que incorpora a filosofia grega e elementos como a reencarnação. A fé drusa é por vezes vista como reservada ou secreta devido à não divulgação de seus dogmas e ao estrito compromisso com a endogamia (casamento apenas dentro da comunidade). As raízes dessas crenças remontam ao século XI, quando Al-Hakim bi-Amr Allah, figura central para os drusos, desapareceu misteriosamente e foi sucedido por seu filho Ali az-Zahir, que tentou eliminar a religião. Em um esforço de autopreservação, os drusos adotaram o segredo em 1043 e, desde então, não aceitaram novos convertidos.

 

Hoje, existem cerca de um milhão de drusos em todo o mundo, com a maioria vivendo no Líbano, na Síria e na Palestina ocupada; entre 30.000 e 40.000 drusos vivem nos Estados Unidos, com a Califórnia liderando entre os estados em termos de população. E aqui residem os desafios: a fé perdurou por mais de mil anos, mas para os drusos-americanos, garantir a sobrevivência de sua comunidade além do século XXI significa enfrentar questões difíceis sobre como equilibrar religião e secularismo.

 

Para muitos drusos que cresceram nos Estados Unidos, a religião não faz parte da vida diária. Os drusos-americanos de segunda e terceira geração frequentemente se integram às comunidades juvenis norte-americanas, e muitos se afastam da fé ao ingressarem no ensino médio e nas universidades.

De acordo com alguns, a religião enfrenta restrições consideradas incompatíveis com a vida contemporânea nos Estados Unidos. Segundo um professor de artes cênicas, que é druso, a proibição do casamento misto afasta muitos drusos. Essas questões representam os maiores desafios enfrentados pela juventude drusa na diáspora.

Para contornar essa realidade e reaproximar os jovens drusos da comunidade, começaram a ser organizados retiros espirituais por todo o país. Esses encontros ocorrem cerca de quatro vezes por ano para que a juventude drusa aprenda mais sobre a sua fé.

 

A esses desafios enfrentados pelos jovens drusos no exterior soma-se o que talvez seja o maior deles: o casamento. Dado que o casamento fora da comunidade é proibido, encontrar um parceiro que não seja apenas compatível, mas também druso, pode parecer impossível para alguns.

 

Fonte: Traduzido de Al Jazeera America